Yeshua através de olhos judaicos: Um rabino examina a vida e os ensinamentos de Yeshua - Parte 2

02/02/2017 10:36

YESHUA ATRAVÉS DE OLHOS JUDAICOS:

 

Um rabino examina a vida e os ensinamentos de Yeshua

 

 

 

Por Rav. John Fischer, Ph.D., Th.D.

 

 

 

Tradução de Luiz Felippe Cavalcanti

 

 

 

 

 

PARTE 2

A Judaicidade de Sua Vida e Ensino

 

A Brit Chadashá reporta de forma marcante que Yeshua foi criado como um judeu nas tradições e fé de seus antepassados. Desde o primeiro momento, foi-lhe dado um nome comum entre os judeus que refletia sua missão: Yeshua (Mt. 1:21), que significa: “O Eterno salva”.

Este foi não só o terceiro nome de menino mais comumente usado no final do período do Segundo Templo do Judaísmo, e ele se conecta diretamente com a expectativa profética (Is 62:11 diz literalmente: “Seu Yeshua está chegando ...”).

Seus pais vieram para o Templo com o recém-nascido Yeshua para sua B’rit Milá (circuncisão), para o Pidyon Haben (redenção do primogênito), e para a purificação ritual da mãe (Lc 2, 21-24) num mikveh. A família de Yeshua também ia a Jerusalém anualmente para observar as festas tradicionais (Lc 2:41).

Esta prática habitual é uma indicação da observância especialmente devotada da família; nem todas as famílias da época poderiam observar ou observavam esta prática. Em uma dessas viagens, quando ele tinha doze anos, Yeshua interagiu com os professores rabínicos, fazendo perguntas penetrantes como um aluno pré-bar mitzvah excepcionalmente sábio (Lc 2:42).

Assim como sua infância, sua vida posterior também foi carimbada pela sua herança judaica. Ele respeitou o Templo e seu culto de adoração ao Eterno, esperando que seus seguidores oferecessem os sacrifícios habituais (Mt. 5:23, 24) e saíssem do seu caminho para pagar o imposto do Templo (Mt. 17: 24-27). Como os judeus devotos de sua época ele participou regularmente na sinagoga no Shabat (Lc. 4:16). Primeiro sendo ensinado lá como uma criança, e mais tarde ministrando o ensino ele próprio.

Ele sempre observou as festas e feriados judaicos (não somente as ordenadas na Torá, mas mesmo as festas da tradição judaicas, como Chanuká) e usou essas ocasiões para indicar como elas destacavam a sua missão (Jo 2:13; 5: 1, 7: 2, 10, 37-39; 08:12, 10: 22-23; 13: 1-2).

Ele usou e ensinou as orações tradicionais de sua época (cf. Mt. 6: 9-13). “Sua oração especial, o Avinu Shebashamayim (Pai nosso), é apenas uma forma abreviada da terceira, quinta, sexta, nona e décima quinta das Dezoito Bênçãos da Amidá” ( Joseph Jacobs, JEWISH ENCYCLOPEDIA, vol. VII, Funk and Wagnalls, New York, 1916, p. 102).

E, claramente, ele usou as bênçãos familiares sobre o pão (hamotsi lechem) e o vinho (bore peri hagafen), quando ele recitou a benção (brachá) nas refeições (cf . Lc 22, 19-20).

Os evangelhos também indicam que ele era bastante judaico em seus vestimentos. Quando a mulher com a hemorragia estendeu a mão para ele, ela agarrou a barra da sua roupa (Mc 6:56; Mt 9:20; Lc 8:44). O termo grego usado aqui, kraspedon, comumente traduz o hebraico tsitsit ou franjas, que D’us havia ordenado ao povo judeu a usar (Nm 15:37-41). Estas tsitsiot são usados nos quatro cantos de seu talit (manto de orações, ordenado em Deuteronômio 12:22), e são ainda mais especiais em referência ao Mashiach Yeshua, pois cumpre a profecia de Malaquias, que diz: “e cura trará nas suas asas”, onde asa é como é conhecido o talit, quando aberto ou estendido sobre alguém por um sacerdote.

Seu modo de vida refletia outros costumes judaicos também. Ele seguiu o costume de não só pregar na sinagoga, mas ao ar livre, como os rabinos que “pregaram em toda parte, na praça da aldeia e no campo, bem como na sinagoga”. O uso frequente de imersão associada a seu ministério também era bastante comum para sua época, como o próprio Talmud testemunha (Sanhedrin 39a) sobre este fato.

Como já foi indicado, se alguém aceita isso ou não, é um fato atestado pelos Evangelhos que até a chegada de sua hora final Yeshua nunca deixou de praticar os rituais básicos do judaísmo. Talvez, o mais importante foi a sua relação com a Lei e as tradições, o que alguns têm descrito como “totalmente ortodoxa” [George Foot Moore, JUDAISM IN THE FIRST CENTURIES OF THE CHRISTIAN ERA, vol. II, Schocken Books, NewYork, 1971, p. 9].

Ele declarou a permanência de toda a Torá (Mt. 5, 17-19). E aceitou até mesmo algumas extensões farisaicas (Mt . 23: 2-3). Algumas delas incluem: o dízimo de ervas (Mt. 23:23; cf. Maaserot 4.5), a graça nas refeições (Mc 6:41; 8:6), as bênçãos sobre o vinho, e a recitação dos Salmos Hallel no Seder de Pessach (Mc 14, 22-23, 26). Essa relação com as tradições e práticas do seu tempo fez com que David Flusser escrevesse na Enciclopédia Judaica: [Vol. 10, p. 14.] “os Evangelhos fornecem provas suficientes no sentido de que Yeshua não se opôs a qualquer prescrição da Lei mosaica escrita ou oral”.

 

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