Yeshua através de olhos judaicos: Um rabino examina a vida e os ensinamentos de Yeshua - Parte 1

02/02/2017 10:23

 

 

YESHUA ATRAVÉS DE OLHOS JUDAICOS:

 

Um rabino examina a vida e os ensinamentos de Yeshua

 

 

 

Por Rav. John Fischer, Ph.D., Th.D.

 

 

 

Tradução de Luiz Felippe Cavalcanti

 

 

 

 

PARTE 1

 

Sobre ele foi dito: "Eis aqui um homem que nasceu num obscuro vilarejo, filho de uma camponesa. Ele cresceu em outro vilarejo. Ele trabalhou em uma carpintaria até completar trinta anos, e depois de três anos foi um pregador itinerante. Ele nunca escreveu um livro. Ele nunca teve um escritório. Ele nunca possuiu uma casa. Ele nunca teve uma família. Ele nunca foi para a faculdade. Ele nunca viajou mais de 200 milhas do lugar onde ele nasceu. Ele nunca fez nenhuma das coisas que normalmente acompanham a grandeza. Ele não tinha credenciais, mas tinha a si mesmo. Quando ainda era jovem, a maré da opinião pública se voltou contra ele. Seus amigos fugiram. Um deles o negou. Ele foi entregue aos seus inimigos. Ele passou pelo escárnio de um julgamento. Ele foi pregado em um madeiro entre dois ladrões. Seus executores tiraram sortes para a única propriedade que ele tinha na terra, enquanto ele estava morrendo, e esta era sua túnica. Quando ele foi morto, ele foi retirado e colocado em um túmulo emprestado pela piedade de um amigo. Mais de dezenove longos séculos vieram e se foram, e hoje ele é a peça central da raça humana e o líder da coluna de progresso da humanidade. Posso afirmar com bastante certeza quando digo que todos os exércitos que já marcharam, e todos os navios que já foram construídos, e todos os parlamentos que já existiram e todos os reis que já reinaram, colocados juntos, não afetaram a vida do homem na Terra do mesmo modo que esta única vida solitária tem feito."

A apreciação do judaísmo por ele (Yeshua) tem com frequência sido brilhante da mesma forma. O altamente respeitado filósofo judeu Martin Buber escreveu: “… Eu estou mais do que nunca certo de que um ótimo lugar pertence a ele na história da fé de Israel e que este lugar não pode ser descrito por nenhuma das categorias usuais.” [ TWO TYPES OF FAITH, Harper, New York, 1961, pp. 12-13].

Em uma entrevista, Albert Einstein observou: “Quando criança, eu recebi instrução tanto na Bíblia quanto no Talmud. Eu sou judeu, mas estou encantado com a figura luminosa do Nazareno ... Ninguém pode ler os Evangelhos sem sentir a presença real de Yeshua. Sua personalidade pulsa em cada palavra. Nenhum mito é preenchido com tanta vida” [George Viereck, "What Life Means to Einstein," THE SATURDAY EVENING POST, Oct. 26, 1929].

O Presidente Emérito da Conferência Central de Rabinos Americanos, Hyman Enelow, observou: “Quem pode calcular tudo o que Yeshua significou para a humanidade? O amor que ele inspirou, o consolo que deu, o bem que fez, a esperança e a alegria que suscitou? Tudo isto é inigualável na história da humanidade”. [“A Jewish View of Jesus”, SELECTED WORKS OF HYMAN ENELOW, VOLUME III: COLLECTED WRITINGS, privately printed, 1935].

O ex-presidente do Hebrew Union College, Rabbi Kaufman Kohler, se dirigiu ao Congresso em 1893 da seguinte forma: “Nenhum sistema ético ou catecismo religioso, por mais amplo e puro, poderia igualar a eficiência dessa grande personalidade, ficando, diferente de qualquer outro, a meio caminho entre o céu e a terra, igualmente perto de D’us e do homem ... Yeshua, o auxiliar dos pobres, o amigo do pecador, o irmão de cada companheiro sofredor, o consolador de cada aflito pela tristeza, o curador do doente, o levantador dos caídos, o amante do homem, o redentor da mulher, ganhou o coração da humanidade pela tempestade. Yeshua, o mais manso dos homens, o mais desprezado da raça desprezada dos judeus, montou no trono do mundo para ser o Grande Rei da terra [Quoted in Jakob Jocz, London, 1962].

O que faz Yeshua levantar a cabeça e ombros acima do resto e ainda assim ter raízes tão profundas entre seu próprio povo? Abraham Lincoln perceptivamente aponta para uma parte da resposta: “Eu duvido da possibilidade, ou propriedade, de se estabelecer a religião de Yeshua HaMashiach nos moldes de credos e dogmas feitos pelo homem”. [Quoted in William Wolf, THE RELIGION OF ABRAHAM LINCOLN, 1963, p. 51].

David Flusser, o ex-chefe de departamento na Universidade Hebraica de Jerusalém, sobrevivente do holocausto, indica uma maior parte do resto da resposta: “Como judeu, ele [Yeshua] aceitou integralmente a Torá. A comunidade que ele fundou, comparável em alguns aspectos aos essênios, viu-se como um movimento de reforma e realização dentro do judaísmo, e não separado dele”. [JESUS, Herder and Herder, New York, 1969, p. 216].

Rabino Stephen Wise, um dos fundadores e expoentes da Reforma do Judaísmo, disse que de forma muito sucinta: “Yeshua é o judeu dos judeus” [THE OUTLOOK, June 7, 1913].

Não é de admirar, então, que o ex-capelão do Senado Richard Halverson poderia salientar: “Há algo superficial num cristianismo que perdeu suas raízes judaicas”. ["A Stout Stand for Israel," CHRISTIANITY TODAY, November 20, 1981, p. 51].

Ou, mais incisivamente: "Retirar Yeshua para fora do seu mundo judaico destrói tanto Jesus quanto destrói o cristianismo, .... Mesmo o papel mais conhecido de Yeshua como Messias é um papel judaico. Se os cristãos deixam de lado as realidades concretas da vida de Yeshua e da história de Israel em favor de um ‘Jesus espiritual universal mítico’ e um reino sobrenatural de D’us, eles negam suas origens em Israel, sua história, e também o D’us que ama e protege Israel. Eles deixam de interpretar o Yeshua real enviado por D’us e o refazem à sua própria imagem e semelhança. Os perigos são evidentes. Se os cristãos arrancarem violentamente Yeshua para fora do seu lugar natural, étnico e histórico dentro do povo de Israel, eles abrem o caminho para fazer igual violência a Israel, o lugar e o povo de Yeshua. Esta é uma lição de história que nos assombra no final do século 20.” [ Anthony Saldarini, "What Price the Uniqueness of Jesus?" BIBLE REVIEW, June 1999, p. 17].

“Assim, torna-se ainda mais vital olharmos Yeshua através de olhos judaicos.” [For an excellent recent discussion, see David Friedman, THEY LOVED THE TORAH, Lederer, Baltimore, 2001].

 

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