Pequeno histórico da substituição do Shabat

24/08/2013 19:49

PEQUENO HISTÓRICO

DA SUBSTITUIÇÃO DO SHABAT

 

Por Tsadok Ben Derech

 

No século IV, o Império Romano estava muito fragmentado e uma instabilidade política o marcava, num ambiente de drástica crise interna. Em 285 D.C., Aurélio Valério Diocleciano, um general recém empossado ao trono imperial, inicia a reorganização do Império, dando origem ao chamado “governo dos tetrarcas”, ou seja, o império foi divido em quatro partes. A instituição da tetrarquia teve por objetivo resolver a crise existente no século III e recuperar a força do Império Romano.

Um dos quatro governantes se chamava Constâncio Cloro que, em 306 d.C, foi substituído por seu filho Constantino, que provavelmente tinha 18 anos.  Constantino tinha uma forte ambição: unificar todo o Império Romano sob sua autoridade única. Para isso, precisava obter o apoio da sociedade romana, fragmentada por diversas religiões. Unificar todas as religiões em torno de sua pessoa seria uma estratégia eficaz para controlar e manipular as massas sociais, garantindo-se, pois, a almejada estabilidade política.

Antes de participar de uma batalha contra seu rival Maxêncio na Ponte Mílvia, perto de Roma, no ano de 312 D.C, afirmou Constantino que teve uma visão da cruz e ouviu uma voz lhe dizer: “in hoc signo vinces” (sob este signo vencerás). Determinou Constantino que seus soldados pintassem a cruz em seus escudos, e conseguiu derrotar seus inimigos. Constantino começou a divulgar que “a vitória confirmou sua fé em Jesus Cristo”. Doravante, seus exércitos deveriam marchar tendo à frente o símbolo unificador da cruz.

Certos historiadores alegam que a suposta visão de Constantino não passou de uma farsa. Em verdade, já sabendo que tinha grandes chances de vencer a batalha, inventou que teve uma visão da cruz para incentivar seus soldados a crerem em algo sobrenatural, o que lhes daria mais ânimo e disposição no combate. Por outro lado, possuindo soldados com diferentes religiões, após a vitória obtida por meio de um “milagre”, todos os militares passaram a enxergar Constantino como uma “pessoa especial, o escolhido de Jesus Cristo como Imperador”.

Em 313 D.C, Constantino expediu o Édito de Milão, em que o Império Romano seria tolerante em relação a todos os credos religiosos, pondo-se fim às perseguições oficiais aos cristãos.

Já no ano de 324 D.C, na batalha de Crisópolis, Constantino derrotou seu último rival, Licínio, e conseguiu finalmente o controle político único sobre todo o império romano. Constantino não obteve apenas a unidade política, mas também a unidade idológica em torno de si, visto que o Império deveria seguir o Cristianismo.

Constantino era adorador do “Deus Sol Invicto”, e grande parte dos historiadores assevera que, na realidade, nunca se converteu, mas permaneceu praticando a religião pagã, sincretizando-a com o Cristianismo. Eis o que afirma a Wikipédia:

“Mas apesar de seu batismo, há dúvidas se realmente ele se tornou cristão. A Enciclopédia Católica afirma: ‘Constantino favoreceu de modo igual ambas as religiões. Como sumo pontífice ele velou pela adoração pagã e protegeu seus direitos’. E a Enciclopédia Hídria observa: ‘Constantino nunca se tornou cristão’. No dia anterior ao da sua morte, Constantino fizera um sacrifício a Zeus, e até o último dia usou o título pagão de Sumo Pontífice.” (vide: http://pt.wikipedia.org/wiki/Constantino).

 

Tendo em visa que Constantino era adorador do deus sol, sendo que o dia de adoração pagã era o primeiro dia da semana (domingo), Constantino sacramentou o Venerabilis die Solis (Venerável dia do Sol) em 321 D.C, oficializando-se o domingo como dia sagrado. Eis o teor do Decreto de Constantino, publicado em sete de março do ano de 321 D.C, determinando o repouso no domingo em homenagem ao dia do deus sol:

 “Devem os magistrado e as pessoas residentes nas cidades repousar, e todas as oficinas serem fechadas no venerável dia do Sol...”

Sobre o assunto, escreveu o autor cristão Frank Viola:

“Em 321 D.C., Constantino decretou o domingo como dia de descanso — um feriado legal. Parece que a intenção de Constantino era honrar ao deus Mitra, o Sol Invencível. Constantino descreveu o domingo como ‘o dia do sol’. Confirmando sua afinidade com a adoração do sol, as escavações de São Pedro de Roma descobriram um mosaico de Cristo como o Sol Invencível.” (Cristianismo Pagão, 2005, página 50).

 

Enquanto os discípulos de Yeshua guardavam o shabat (sábado), dia instituído pelo ETERNO, Constantino quis abolir o verdadeiro dia santo e substituí-lo pelo dia em que vários povos pagãos cultuavam o deus sol: o domingo.  Lembra-se que os babilônios dedicavam o primeiro dia da semana (domingo) ao deus Chama (deus sol, o Senhor do culto solar), enquanto os assírios e os egípcios cultuavam no primeiro dia da semana (domingo) o deus Maior - o Sol (deus Rá).

Em 325 D.C, o Concílio de Niceia, presidido por Constantino, estabeleceu universalmente o primeiro dia da semana (domingo) como dia sagrado, com a finalidade de introduzir o povo pagão dentro desta nova religião, o Catolicismo Romano, unificando todas as religiões pagãs do Império que adoravam o deus Sol no domingo. Mais uma vez se reporta à Wikipédia:

 “O Imperador Constantino provocou uma divergência de opinião sobre a questão se deve ser o sábado ou o domingo o dia observado como dia de descanso. A divergência não se aplica aos judeus, para quem o dia de descanso (Shabat) é incontestavelmente no sábado, nem para os muçulmanos cujo dia sagrado (jumu'ah) é em uma sexta-feira. A divergência entre a tradicional observância religiosa judaica do Shabat [sábado] e ao respeito ao primeiro dia da semana aparece com o concílio de Nicéia (ano 325) pelo Imperador Constantino que impõe o domingo sobre o sábado, de modo a introduzir o povo pagão dentro dessa nova religião.” (consulte o sítio eletrônico: http://pt.wikipedia.org/wiki/Domingo).

 

Como acima transcrito, os judeus sempre guardaram o shabat, lembrando-se que Yeshua e seus discípulos eram todos judeus, e os gentios que reconheciam Yeshua como o Messias passaram a fazer parte do mesmo corpo. No texto acima, está claro que até o ano de 325 D.C os judeus (seguidores de Yeshua ou não)  ainda guardavam o shabat. Eis o relator do historiador T.H. Morer:

Os cristãos primitivos tinham grande veneração pelo sábado, e passavam este dia em devoção e em sermões. E isto não pode ser posto em dúvida, porque eles tiraram essa prática dos próprios Apóstolos, como se percebe em várias Escrituras sobre tal assunto.” (Dialogues on the Lord’s Day, London, 1701, pg. 189).

 

 

No mencionado Concílio de Niceia, presidido pelo Imperador Constantino, não participaram os israelitas discípulos de Yeshua, conhecidos como netsarim (nazarenos), que foram rotulados de “apóstatas” pelo oficial Cristianismo gentílico (Catolicismo Romano). 

 

Mesmo com a mudança do shabat para o domingo, os discípulos de Yeshua (judeus e gentios) e os judeus se recusaram a profanar o shabat. Por tal razão, em 336 D.C, o Catolicismo Romano promoveu o Concílio de Laodiceia, que reafirmou a guarda do domingo e abominou a observância do shabat (Cânon 29).

 

Não obstante, muitos judeus permaneceram firmes na Torá e em Yeshua, não se curvando ao mandamento da Igreja Católica. Escolheram obedecer  ao ETERNO, guardando-se o shabat, em vez de se submeterem à lei dos homens.

 

Diante da resistência dos judeus, compreendendo-se tanto os fiéis a Yeshua quanto os que não o reconheceram como Messias, a Igreja Católica Romana investiu todas as suas forças para tentar anular o shabat:

 

a) Graciano, Valentiniano e Teodósio exigem que se façam negócios no sábado (386 D.C.), forçando o povo do ETERNO a cair em desobediência;

 

b) o Papa Inocêncio decreta que os cristãos deveriam guardar e jejuar no domingo (416 D.C.);

 

c) o Concílio de Orleans, promovido pela Igreja Católica, reforça o domingo (538 D.C.);

d) o Papa Gregório qualifica de Anticristo aquele que ensinasse a guarda do shabat (590 D.C ).

 

No ano de 590 D.C inaugurou-se um período de apostasia ainda maior. O Papa Gregório I, chamado de “o Grande”, declarou que o Império Romano era santo e desencadeou severa perseguição aos nazarenos, aos judeus e às comunidades cristãs que guardavam o shabat. Seria chamado de “anticristo” quem observasse o shabat, merecendo punição, podendo chegar à pena de morte. Alastrou-se fortemente a perseguição, e a Inquisição somente teve fim em 1850 D.C, ou seja, depois de 1260 anos.

Seriam necessárias páginas e mais páginas para se narrar as atrocidades que foram cometidas pela Igreja Católica. Todavia, este breve escorço já é o suficiente para demonstrar que a alteração do shabat para o domingo possui raízes malignas, cumprindo-se parcialmente a profecia de Dani’el acerca do AntiMashiach (Anticristo):

“E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos [o shabat e demais festas bíblicas] e a Lei [a Torá]; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.” (Dani’el 7:25).

 

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