PARTE VIII - PURIM E CHANUKÁ

21/08/2013 12:41

PARTE VIII

PURIM E CHANUKÁ  

 

Por Tsadok Ben Derech

 

 

Além das festas designadas pelo ETERNO em Vayikrá/Levítico 23, apresentadas acima, existem mais duas festas que foram acrescentadas posteriormente pela tradição israelita: Purim e Chanuká.

Apesar de tais festas não estarem prescritas na Torá, são relevantes para o povo de Israel, porquanto constam das Escrituras. Purim é narrada no livro de Ester, enquanto a festa de Chanuká é descrita nos livros de Macabeus. Estes, apesar de não constarem do atual cânon judaico e protestante, eram usados normalmente no primeiro século, tanto é verdade que estão insertos na Septuaginta[1], e a B’rit Chadashá (Aliança Renovada/“Novo Testamento”) relata que Yeshua participava da festa de Chanuká. 

Purim é uma celebração festiva dos eventos descritos no livro de Ester, em que os filhos de Israel receberam grande livramento da tentativa de seus inimigos de exterminá-los. Daí a palavra Purim, que significa “sorteios”, pois, no livro de Ester, o perverso Haman estabeleceu um sorteio a fim de encontrar o dia em que conseguiria destruir os judeus. Porém, Haman terminou por ser enforcado na própria forca que tinha preparado para o justo Mordechái. Então, na festa de purim se comemora a vitória dos justos sobre os ímpios. Eis a previsão bíblica:

“Por isso aqueles dias chamam Purim, do nome Pur; assim também por causa de todas as palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido,

Confirmaram os judeus, e tomaram sobre si, e sobre a sua descendência, e sobre todos os que se achegassem a eles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevera deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos.

E que estes dias seriam lembrados e guardados em cada geração, família, província e cidade, e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória deles nunca teria fim entre os de sua descendência.” (Ester 9:26-28).

 

Outra importante festa é a de chanuká (“consagração”), em que se celebra a vitória de Israel sobre a dominação grega, que havia imposto a cultura helenística com toda a sua idolatria, cujos eventos estão descritos nos livros de Macabim Álef e Beit (1º e 2º Macabeus). Comemora-se a consagração e a purificação do Beit HaMikdash (Templo) do ETERNO, que havia sido profanado pelos pagãos, inclusive estes chegaram a fazer sacrifícios pagãos no local a Zeus. Citam-se alguns textos acerca desta festa:

“E Yehudá [Judas], com seus irmãos e toda a assembleia de Israel, estabeleceu que os dias da consagração do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria.” (Macabim/1º Macabim 4:59).

“Sob a direção de YHWH, Macabeu e os seus companheiros retomaram o Templo e a cidade.   

Demoliram então os altares [idólatras] construídos pelos estrangeiros na praça pública, bem como seus oratórios.   

Depois, tendo purificado o Santuário, levantaram outro altar para os holocaustos. E logo, extraindo a centelha das pedras, tomaram do fogo resultante e ofereceram sacrifícios, após uma interrupção de dois anos. Queimaram também o incenso, acenderam as lâmpadas e fizeram a apresentação dos pães.   

Realizadas essas coisas, prostraram-se com o ventre por terra, suplicando a YHWH que não mais os deixasse cair em tão grandes males. Mas que, se tornassem a pecar, fossem por ele corrigidos com moderação, sem contudo serem entregues às nações blasfemas e bárbaras.   

Assim, no dia em que o Santuário havia sido profanado pelos estrangeiros, nesse mesmo dia sucedeu realizar-se a purificação do Santuário, isto é, no vigésimo quinto dia do mesmo mês, que era o de Casleu.   

E com júbilo celebraram oito dias de festa, como para as Tendas, recordando-se que, pouco tempo antes, durante a própria festa das tendas, estavam obrigados a viver nas montanhas e nas cavernas, à maneira de feras.   

Eis por que, trazendo tirsos e ramos vistosos, bem como palmas, entoavam hinos Aquele que de modo tão feliz os conduzira à purificação do seu Lugar.   

Depois, com um público edito confirmado por votação, prescreveram a toda a nação dos judeus que celebrassem anualmente esses dias.” (Macabim Beit/2º Macabeus 10:1-8).   

 

 

 


[1] A Septuaginta é a tradução do cânon do Tanach (“Antigo Testamento”), do hebraico para a língua grega. Os livros dos Macabeus constam do cânon da Septuaginta. 

 

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