PARTE VII - CONCLUSÃO

21/08/2013 11:38

PARTE VII  

CONCLUSÃO

 

Por Tsadok Ben Derech

 

À guisa de conclusão e objetivando compendiar todos os estudos apresentados, pode-se afirmar que o Judaísmo vivenciado por Yeshua possui as seguintes raízes no farisaísmo:

1) o Mashiach foi um Mestre da Torá;

2) o Mashiach guardava não apenas a Torá, mas as tradições de seus antepassados, desde que fossem compatíveis com a Palavra do ETERNO. A observância das tradições por Yeshua apresenta um ponto de contato com o farisaísmo, mas também indica um ponto de divergência, pois a grande maioria dos fariseus guardava tradições incompatíveis com as Escrituras Sagradas, inclusive ao considerar que tais tradições teriam sido ordenadas oralmente pelo ETERNO a Moisés;

3) lecionava Yeshua que Elohim controla o destino de tudo o que se passa na Terra;

4) ministrava que o ser humano possui o livre arbítrio para escolher o bem ou o mal;

5) explicou acerca da imortalidade da alma;

6) falou que os mortos ressuscitam e que hão de ressuscitar no último dia;

7) pregou que os os ímpios serão castigados eternamente no Guey Hinom;

8) foi sociável e viveu em amizade com discípulos;

9) Yeshua falou sobre a existência de anjos e demônios, nos mesmos moldes dos fariseus;

10) pensava, tal como Hilel, que o pilar da Torá é o amor ao próximo em relação a todos os homens, inexistindo distinção entre judeu e gentio;

11) formulou a “regra de ouro”, semelhantemente a Hilel;

12) seguindo os rumos de Hilel, Yeshua interpretava as Escrituras com fundamento no chesed (graça, misericórdia);

13) lecionou que a salvação é obtida pela graça, e não pelo mérito humano, o que não exclui, obviamente, o dever de a pessoa se esforçar para cumprir as mitsvot (mandamentos) do ETERNO;

14) vários discípulos de Yeshua que ingressaram no Judaísmo Nazareno eram p’rushim (fariseus) e continuaram p’rushim, ou seja, ser netsari (nazareno) não era incompatível com ser parush (fariseu). Exemplo disso é Sha’ul (Paulo), que era netsari (nazareno) e se autodeclarava parush (At 23:6);

15) Yeshua não foi contra a doutrina dos p’rushim, mas sim contra as obras de alguns fariseus que praticavam iniquidade, sendo que alguns deles chegaram a criar leis rabínicas contrárias à Torá;

16) houve intenso embate entre Yeshua e a Beit Shamai. Não obstante, o Mashiach não criticou todos os seguimentos do farisaísmo, haja vista sua afinidade doutrinária com a Beit Hilel, divergindo desta em menor escala.

 

Não obstante as semelhanças bosquejadas entre Yeshua e os p’rushim, o Judaísmo pregado e vivido pelo Mashiach não foi exatamente igual ao farisaísmo, tanto é que os evangelhos apontam inúmeros fatores distintivos, mais fortes em relação à Beit Shamai e mais tênues em relação à Beit Hilel. Infere-se daí que o Judaísmo Nazareno adquiriu perfil prático-doutrinário próprio, sui generis, ainda que possua inegáveis conexões com o farisaísmo.

Segundo Flávio Josefo, existiam seis mil fariseus, que representavam o maior segmento do Judaísmo no Período do Segundo Templo. De acordo com o Livro de Atos, os nazarenos ultrapassaram em muito este número, chegando a uma multidão de milhares e milhares de pessoas (At 2:41; 4:4; 5:14; 6:1 e 7; 9:31; 12:24; 13:43 e 48; 21:20). Assim, ao suplantar numericamente o partido dos fariseus, o Judaísmo Nazareno se tornou o maior tronco da religião judaica no primeiro século, e sua relevância persistirá até o retorno de Yeshua HaMashiach.

 

 

 

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