Determina a Torá que a pessoa deve cheirar especiarias na Havdalá?

15/04/2016 20:11

 

Determina a Torá que a pessoa deve 

cheirar especiarias na Havdalá?

 

Por Tsadok Ben Derech

 

 

Determina a Torá que a pessoa deve cheirar especiarias na Havdalá?

Não. Não existe esta mitsvá na Torá.

Todavia, o Judaísmo normativo criou uma explicação para o hábito, que também não possui guarida na Torá:

“A primeira [benção] é dita ao aspirar a fragrância de especiarias que têm o poder de revigorar espíritos alquebrados; quando o Shabat parte, junto com ele se retira a alma espiritual adicional, e é nessa hora que nosso estado de espírito precisa ser estimulado e revivido”[1].

 

O fundamento para se cheirar especiarias acima utilizado reside no fato de que, findo o shabat, vai-se embora uma “alma espiritual adicional”, e por este motivo o estado de espírito precisa ser estimulado e revivido, o que é feito pela aspiração das fragrâncias de especiarias que “têm o poder de revigorar espíritos alquebrados”.

Ora, pergunta-se: Onde diz a Torá que no shabat a pessoa recebe uma alma espiritual adicional, que parte após o shabat? Onde afirma a Escritura que o hábito de cheirar especiarias tem o poder de revigorar espíritos?

Resposta: Em lugar nenhum!

Ou seja, a justificativa do Judaísmo Normativo não possui fundamento nas Escrituras.

Em verdade, o costume de cheirar especiarias na Havdalá nasceu da tradição judaica sob influência da cultura greco-romana, conforme atesta conceituada obra do Judaísmo rabínico:

“... o motivo de cheirar especiarias durante Havdalah. Estudiosos assumem que o costume é conectado ao costume greco-romano de queimar incenso no final da refeição. Isso, certamente, não poderia ser feito no Shabat, assim, era feito imediatamente após o Shabat”.

(JPS Commentary on the Haggadah: Historical Introduction, Translation, and Commentary, 2008, Joseph Tabory, Published by The Jewish Publication Society, página 21).

 

À luz do texto citado, percebe-se que os judeus não podiam queimar incenso no shabat, haja vista a proibição de acender fogo neste dia (Shemot/Êxodo 35:3), então, incorporaram o costume greco-romano de queimar incenso logo após o shabat, na Havdalá.

E por que a cultura greco-romana usava incensos?

“Nas tradições do Helenismo, o incenso é usado exclusivamente como uma oferenda aos deuses.

(...)

A correta atitude é que o incenso é uma oferta de amor, generosidade, gratidão e adoração. Você está dando um presente de algo bom e precioso para os bem-aventurados deuses do Olimpo e do extenso panteão de divindades[2].

 

Logo, pode-se afirmar com absoluta certeza que o hábito de cheirar especiarias na Havdalá não encontra fundamento na Torá, e este costume foi incorporado ao Judaísmo pelo rito greco-romano de queimar incenso, conforme obra rabínica transcrita, denotando oferta aos deuses do Olimpo. Esta é a verdadeira origem da prática.

 

 

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