Arquivos do Vaticano: o dia em que a família de Yeshua encontrou o Papa

15/12/2013 17:42

ARQUIVOS DO VATICANO:

O DIA EM QUE A FAMÍLIA DE YESHUA ENCONTROU O PAPA

 

Por Tsadok Ben Derech

 

 

I - Introito

Este breve estudo tem por objetivo expor um fato desconhecido por muitas pessoas: no ano 318 D.C. houve um encontro entre judeus, todos da família biológica de Yeshua HaMashiach, e o Papa Silvestre I. Tal reunião poderia mudar para sempre a denominada “História da Igreja”, caso a Igreja Católica seguisse a exortação dos judeus. Contudo, já que Roma fechou os ouvidos para a verdade, nada mudou, e o paganismo continuou a alastrar-se.

Após séculos de silêncio, faz-se mister revelar o que aconteceu no referido encontro em 318 D.C.

 

II - Desposyni: a família de Yeshua HaMashiach

Apesar de Yeshua ter sido concebido por Miryam (Maria), quando esta ainda era virgem, fato é que, posteriormente, a mãe do Mashiach teve relações sexuais com Yosef (José), gerando filhos e filhas. São claras as Escrituras ao declararem que Yeshua teve irmãos e irmãs (Mt 13:55-56; Mc 3:31-35 e Jo 7:3-6).

Este ponto é confirmado por Eusébio de Cesareia, historiador do século IV D.C., com base nos relatos de HaGish’fa (Hegésipo), que foi um escritor nazareno que viveu durante os anos 110 a 180 D.C. Confira a narrativa de Hegésipo citada por Eusébio de Cesareia:

“Sucessor na direção da Kehilá [Congregação] é, junto com os apóstolos, Ya’akov [‘Tiago’], o irmão do Senhor. Todos dão-lhe o sobrenome de ‘Justo’ [HaTsadik], desde os tempos do Senhor até os nossos, pois eram muitos os que se chamavam Ya’akov [‘Tiago’]. Mas somente este foi santo desde o ventre de sua mãe. Não bebeu vinho nem bebida fermentada...” (Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, editora Novo Século, 2002, página 47).

“Depois do martírio de Ya’akov [Tiago] e da tomada de Jerusalém, que se seguiu imediatamente, é tradição que os apóstolos e discípulos do Senhor que ainda viviam reuniram-se de todas as partes num mesmo lugar, junto com os que eram da família do Senhor segundo a carne (pois muitos deles ainda viviam), e todos celebraram um conselho sobre quem seria considerado digno de suceder a Ya’akov [Tiago], e todos, por unanimidade, decidiram que Shim’on [Simeão], o filho de Kelofá [Clopas ou Cleopas] - mencionado também pelo texto do Evangelho  -, era digno do trono daquela Kehilá [Congregação], por ser primo do Salvador, ao menos segundo se diz, pois Hegésipo refere que Kelofá era irmão de Yosef [José].” (Ob.Cit, página 60).

 

No terceiro século, os descendentes dos irmãos de sangue de Yeshua eram chamados pelos gregos de “desposyni”, proveniente da palavra δεσπόσυνοι, que significa “aquele que pertence ao Mestre ou ao Senhor”.

 

III – O encontro entre a família de Yeshua e o Papa

O polêmico padre irlandês Malachi Brendan Martin, na obra “The Decline and Fall of the Roman Church”, escreveu que no ano de 318 D.C. houve um encontro entre membros da família de Yeshua e o Papa Silvestre I.

De acordo com os escólios do referido padre, os parentes de Yeshua foram até Roma com a intenção de restabelecer a observância da Torá entre os cristãos, bem como de obter o reconhecimento de que a liderança dos talmidim (discípulos) deveria estar em Yerushalayim (Jerusalém), e não em Roma.  Eis excertos do livro:

“... Um encontro entre Silvestre [Papa Silvestre I] e os líderes cristãos judeus [rectius: netsarim/nazarenos[1]] ocorreu em 318.

(...)

Silvestre falou em grego, pois não podia entender o aramaico deles ...

... A entrevista não era vital, tanto quanto sabemos, mas as questões eram muito bem conhecidas, e é provável que José [Yosef], o mais velho dos judeus cristãos [rectius: netsarim/nazarenos], tenha falado em nome dos Desposyni e do resto.

(...) os desposyni tinham sido respeitados por todos os primeiros crentes no primeiro século e até o meio da história cristã.

(...) eles [os netsarim/nazarenos] eram sempre odiados nas sinagogas locais como sendo apóstatas do Judaísmo, e estavam sempre em contenda com os cristãos gregos que se recusavam a ser circuncidados e a observar a Torá – coisas que os judeus cristãos [rectius: nazarenos] insistiam.

(...)

Silvestre rejeitou suas alegações e disse que, a partir de agora, a Mãe Igreja estava em Roma, com os ossos do apóstolo Pedro, e insistiu que eles aceitassem os bispos gregos para liderá-los.

Esta foi a última discussão entre os judeus cristãos [rectius: netsarim/nazarenos] da antiga mãe igreja e os não-judeus cristãos da nova mãe igreja.

(...)

Os cristãos judeus [rectius: netsarim/nazarenos] não tinham lugar em tal estrutura da igreja” (The Decline and Fall of the Roman Church, Malachi Martin, G.P. Putnam´s Sons, New York, 1981, páginas 42 a 44).

 

Ora, pelas citações acima, evidencia-se que a família de Yeshua, liderada por Yosef, foi a Roma e solicitou que a Igreja Católica reintroduzisse a Torá, ou seja, saísse do paganismo e voltasse para o Judaísmo bíblico, conhecido como Judaísmo dos Netsarim/Nazarenos (At 24:5). Neste processo de teshuvá, os cristãos retornariam a guardar o shabat e todas as outras mitsvot (mandamentos) da Torá, incluindo a circuncisão.

Porém, o Papa Silvestre I se recusou a ouvir os netsarim (nazarenos) da família de Yeshua, e expressamente rejeitou a Torá, decretando que estes obedecessem aos Bispos. Tendo em vista que os netsarim eram fiéis à vontade de YHWH, consubstanciada na Torá, não se subordinaram à autoridade da Igreja Católica, e de lá para cá nunca mais houve diálogo entre os grupos.

 

IV - Epílogo

Infelizmente, em pleno século XXI, segmentos do Judaísmo Messiânico, inclusive no Brasil, firmaram aliança com a Igreja Católica Romana, debaixo da “benção” do Papa Bento XVI, objetivando uma reconciliação entre as duas religiões. Em verdade, trata-se de uma autêntica proposta de ecumenismo, desaprovada pelas Escrituras:

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?

E que concórdia há entre o Mashiach e HaSatan? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” (Curintayah Beit/2ª Coríntios 6:14-15).

 

Ora, se a Igreja Católica está submersa nas trevas da idolatria, os judeus messiânicos deveriam envidar esforços para tirar os católicos do paganismo, e não firmar uma aliança em que ambos andarão de mãos dadas.

Nós, netsarim (nazarenos) do século XXI, estamos fazendo o mesmo que nossos antepassados: não vamos dobrar nossos joelhos perante Roma!!!

 


[1] De acordo com Atos 24:5, bem como os relatos de Epifânio de Salamina e Jerônimo, que foram “Pais da Igreja”, os judeus discípulos de Yeshua eram chamados de “netsarim” (nazarenos), e não de “judeus cristãos”.

 

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