A Torá de YHWH acabou ou é eterna?

20/08/2013 22:43

A TORÁ DE YHWH ACABOU OU É ETERNA?

Por Tsadok Ben Derech

 

 

Atualmente, muitos cristãos sinceros e honestos estão decepcionados com a devassidão espiritual que tomou conta do Cristianismo. Então, estes cristãos pensam que conseguirão reformar os pilares da fé mediante o “retorno à Igreja da época do Novo Testamento (século primeiro)”. Porém, tal pensamento contém dois graves erros, porquanto na época de Yeshua e de seus primeiros discípulos: 1) não existia Igreja; 2) não existia “Novo Testamento”.

Os crentes da “Igreja do Novo Testamento” reuniam-se em sinagogas e não na “Igreja” (Ma’assei Sh’lichim/Atos 15: 21; 13: 14 e 43; 17: 1, 10 e 17; 18: 4, 8 e 19; 19: 8 e Ya’akov/Tiago 2:2[1]). Este tópico é abordado com mais propriedade em outros artigos deste site. Por enquanto, cabe apenas se dizer que os tradutores da Bíblia usaram o vocábulo “Igreja” para institucionalizar uma nova religião denominada “Cristianismo”. Em verdade, Yeshua e todos os seus primeiros discípulos eram judeus e seguiam o Judaísmo, juntamente com gentios, todos frequentando sinagogas (Mt 1:23; 12:9; 13:54; Mc 1:21, 29; 3:1; 5:22, 35 e 36; Lc 4: 16, 33 e Jo 12: 42 e 18: 20). Yeshua não veio para fundar uma nova religião! Muito menos ordenou que fossem construídos prédios faraônicos denominados “Igrejas”!

Os primeiros talmidim (discípulos) de Yeshua não usavam a B’rit Chadashá (Aliança Renovada/“Novo Testamento”), uma vez que esta ainda não tinha sido escrita e compilada. Quando os discípulos se referiam às Escrituras, estavam falando sobre o Tanach (Primeiras Escrituras/“Antigo Testamento”), porque eram os únicos textos bíblicos que possuíam.

Quando Sha’ul (Paulo) escreveu para Timóteo que “toda Escritura é inspirada por Elohim e valiosa para ensinar a verdade, convencer do pecado, corrigir erros e treinar no viver correto; dessa forma, quem pertence a Elohim pode ser plenamente equipado para toda boa obra” (Timoteus Beit/2 Timóteo 3:16-17), Sha’ul estava se referindo ao Tanach (“Antigo Testamento”), pois eram as únicas Escrituras existentes na época.

Além disso, Sha’ul (Paulo) falou aos bereanos em Atos 17:11: “As pessoas dali eram de caráter mais nobre do que os de Tessalônica; eles receberam a mensagem com entusiasmo, examinando as Escrituras todos os dias para ver se o que Sha’ul dizia era verdade”. Sha’ul (Paulo) disse que os bereanos eram nobres porque eles não acreditaram em suas palavras em razão de sua própria autoridade. Os bereanos conferiram tudo o que Sha’ul ensinou para saber se tais ensinos estavam de acordo com as Escrituras. Vale recordar que os bereanos estavam conferindo se tudo estava de acordo com o Tanach (“Antigo Testamento”), já que eram as únicas Escrituras daquele tempo. Sha’ul disse que eles eram mais nobres porque somente aceitaram seu ensino em razão de este estar de acordo com o Tanach.

Isto significa que, sempre que estudarmos a B’rit Chadashá (Aliança Renovada/“Novo Testamento”), devemos fazer a seguinte pergunta: “Nós podemos chegar aqui a partir do que já existe lá?”, ou seja, do que já existe no Tanach. Se a pessoa acha que entendeu algo do “Novo Testamento” e este entendimento está contrariando o Tanach (“Antigo Testamento”), então, a verdade é que houve um mal-entendido, uma interpretação incorreta das Escrituras.

Enquanto estiver lendo este estudo, pedimos que você seja como um nobre bereano. Olhe para o Tanach (“Antigo Testamento”) e verifique se o que Sha’ul (Paulo) e os outros escritores do “Novo Testamento” estão ensinando pode ser encontrado lá nas Primeiras Escrituras. Ou seja, entenda o que a B’rit Chadashá (“Novo Testamento”) afirma à luz do que o Tanach ensina.

Há uma diferença entre o método de interpretação bíblica dos nazarenos e dos atuais cristãos. Os nazarenos, quando se deparam com uma lição de Yeshua, procuram associá-la imediatamente aos preceitos do Tanach, uma vez que acreditam que as Sagradas Escrituras constituem um todo harmônico. Em sentido oposto, ao lerem o “Novo Testamento”, os cristãos partem da errônea premissa de que este é suficiente por si próprio, reputando que o “Antigo Testamento” é um conjunto de livros velhos, desatualizados e de pouco valor. Então, os cristãos analisam o “Novo Testamento” de acordo com seus próprios valores ocidentais, divorciando o ensino de Yeshua com o inseparável Judaísmo latente em suas veias.

A seguir, iremos agir como os bereanos e checar todas as informações em conformidade com o Tanach (Primeiras Escrituras), partindo da ideia de que as lições do ETERNO não são consideradas velhas e obsoletas, mas constituem a imutável verdade que nos leva à exata compreensão dos ensinamentos do Mashiach.

Apregoa o Cristianismo que a “Lei foi abolida na cruz”; enquanto historicamente os netsarim (nazarenos) sempre creram que a Torá (“Lei”) vigora para todo o sempre. Quem está com a razão? Estudemos o tema.

A palavra “TORÁ” é comumente traduzida em nossas Bíblias por “Lei”. Porém, qual é o real significado do vocábulo “Lei”? A palavra hebraica TORÁ (תורה)  significa orientação, instrução (STRONG 8451). TORÁ vem da raiz hebraica do verbo YARAH, que significa instruir. YARAH foi um termo antigo que se referia a acertar um alvo, e dá o sentido de “estabelecer os fundamentos, a base”.

A Torá é a orientação, tal como o caminho em linha reta de uma flecha para atingir o alvo.  A Torá é nossa fundação e isto é importante para se entender o real significado da palavra hebraica “TORÁ”. Atualmente, muitas pessoas dizem que “a Lei (Torá) do ETERNO não é para hoje”, porém, ninguém ousaria dizer que “a orientação e a instrução do ETERNO estão desatualizadas”.

A presente lição é sobre a Torá, ou seja, sobre como Elohim deseja nos instruir, orientar. Versa sobre os fundamentos (a base) e sobre a definição de nós mesmos como flechas que devem acertar o alvo. Esta lição dará objetivo, direção, fundamentos e o alvo. 

Comumente, usa-se também a palavra “Torá” para designar os cinco livros escritos por Moshé (Moisés), ou seja, os 5 (cinco) primeiros livros da Bíblia: 1) Bereshit (Gênesis), 2) Shemot (Êxodo); 3) Vayikrá (Levítico); 4) Bemidbar (Números) e 5) Devarim (Deuteronômio).

A palavra grega usada no lugar de TORÁ pela Septuaginta (antiga tradução grega do Tanach/“Antigo Testamento”) e no “Novo Testamento” grego foi “NOMOS”.  Esta possui um paralelo com a Bíblia em Aramaico (a Peshitta) que usou o vocábulo “NAMOSA”, que vem da raiz semita “NIMMES”, que significa “civilizar”, bem como um paralelo com a moderna palavra hebraica “NIMOS” (ou “NIMUS”), que significa “ser polido” (educado, gentil).

Assim, no núcleo da Torá estão os preceitos fundamentais da civilização. Do ponto de vista do ETERNO, sem a Torá nós somos incivilizados. 

Então, enquanto a palavra “Torá” significa “instrução”, referindo-se a tudo aquilo que o ETERNO ensinou nos 5 (cinco) primeiros livros da Bíblia, todos escritos por Moshé (Moisés), as versões em Língua Portuguesa terminam traduzindo “Torá” por “Lei”. Em verdade, a Torá é muito mais do que Lei de YHWH, pois se relaciona com sua eterna instrução, sabedoria e ensino, ou seja, com sua própria Palavra. 

Nos cinco livros escritos por Moshé (Moisés), existem vários mandamentos prescritos pelo ETERNO e que, de acordo com o Judaísmo, perfazem o total de 613 [2]. Atribui-se a Moshé Ben Maimon[3] (Maimônides) a obra de sistematizar o catálogo de 613 mandamentos, dividindo-os em positivos (quando o ETERNO exige uma ação do homem) e negativos (quando se exige uma abstenção de algo). Dos 613, há 248 mandamentos positivos (“faça”/“obrigações”) e 365 negativos (“não faça”/“proibições”). Explicam os rabinos que os 248 mandamentos positivos se referem ao número de ossos ou órgãos importantes do corpo humano, como se cada osso ou membro dissesse ao homem: “cumpra um preceito comigo”; já os 365 mandamentos negativos dizem respeito ao número de dias do ano, como se cada dia falasse ao ser humano: “Não cometa uma transgressão hoje”.

Exemplificam-se alguns dos mandamentos positivos (obrigações) que se extraem da Torá: crer na existência de Elohim; temer a Elohim; saber que Ele é um; amar YHWH; santificar Seu nome; reprovar um pecador; estudar a Torá; descansar no shabat (sábado); deve o ladrão restituir o que roubou; tratar os litigantes igualmente diante da lei; fazer tsedaká (“caridade”); salvar a vida dos perseguidos; honrar os pais; amar ao próximo; amar o estrangeiro; etc.

Eis exemplos de mandamentos negativos (proibições): não crer em falsos deuses; não fazer imagens de ídolos para adoração; não curvar-se diante de um ídolo; não adorar a ídolos; não praticar feitiçaria; não estudar práticas idólatras; não beneficiar-se de ornamentos que ornaram um ídolo; não praticar adivinhação; não praticar bruxaria; não consultar os astros; não profetizar falsamente; não consultar os mortos; não casar-se com heréticos; não blasfemar contra o nome de YHWH; não comer um animal impuro; não comer sangue; não praticar o homossexualismo; não oprimir um empregado atrasando o pagamento de seu salário; etc.

Os 613 mandamentos (mitsvot) da Torá são classificados em três categorias:

1) MISHPATIM (juízos, julgamentos, acórdãos) – Strong 4941. Os MISHPATIM são os mandamentos éticos e morais e apontam fundamentalmente para o que está certo e o que está errado.

2) EDYOT (testemunhos) – Strong 5715. EDYOT são mandamentos que dão testemunho de YHWH. Ex: shabat, as festas do ETERNO, a mezuzah, a tsitsit etc.

3) CHOKIM (estatutos, decretos) – Strong 2706. Os CHOKIM são mandamentos que aparentemente não possuem razão de existir. Ex: o mandamento de não misturar lã com linho, não acender fogo no shabat etc.

Já vimos que, quando estudarmos a B’rit Chadashá (Aliança Renovada/“Novo Testamento”), deveremos nos perguntar se seus ensinos possuem por base o Tanach (Primeiras Escrituras).  Se houver alguma contradição entre ambos, então, existirá algum erro de interpretação.

Muitas pessoas não entendem as lições da B’rit Chadashá porque acreditam erroneamente que a Torá foi abolida.  Vamos ser como os bereanos e olhar para o Tanach a fim de verificar se isto é realmente verdade (Atos 17: 11).

Sha’ul (Paulo) afirmou que a Escritura é “valiosa para ensinar a verdade, convencer do pecado, corrigir erros e treinar no viver correto” (2 Tm 3:16). Esta Escritura mencionada por Sha’ul é o Tanach, tendo em vista que, quando escreveu a Timóteo, ainda não existia o conjunto de livros hoje conhecidos como “Novo Testamento”. Assim, se seguirmos o conselho de Sha’ul (Paulo), deveremos estudar o Tanach, pois é Escritura “valiosa para ensinar a verdade” (2 Tm 3:16).  

O que o Tanach prescreve? Diz o Tanach que a Torá é para todas as gerações e para sempre? Ou será que diz que um dia a Torá seria abolida?

Se está correto o ensino cristão de que a Torá foi extinta, então, devemos procurar onde este ensino está escrito no Tanach (Primeiras Escrituras/“Antigo Testamento”). Tal como os nobres bereanos, devemos investigar para sabermos se estas coisas que foram ensinadas possuem respaldo no Tanach. Em contrapartida, se a Torá não foi abolida, ou seja, se existe por todas as gerações e para sempre, então, devemos ser capazes de encontrar tal informação no Tanach.

Se “a Escritura (Tanach) é valiosa para ensinar a verdade” (2 Tm 3:16), vamos buscar a verdade a partir do próprio Tanach, aqui e agora.

Após entregar a Torá a Moshé (Moisés) no Monte Sinai, o ETERNO ordenou que seu povo deveria guardar a Torá para sempre:

 “YHWH ordenou que guardássemos todas essas leis, o temor a YHWH, nosso Elohim, sempre para o nosso bem, para que ele nos guardasse com vida, como nos encontramos hoje. A obediência cuidadosa de todas essas mitsvot [mandamentos] diante de YHWH, nosso Elohim, como ele nos ordenou a fazer, será a nossa justiça.”

(Devarim/Deuteronômio 6:24-25).

 

Foi desejo do ETERNO que seu povo obedecesse à Torá para sempre:

Oh, como eu queria que o coração deles permanecesse desse jeito para sempre, que eles me temessem e obedecessem a todas as minhas mitsvot [mandamentos], para que tudo corresse bem para eles, bem como para os seus filhos, para sempre

(Devarim/Deuteronômio 5:26, ou verso 29 nas traduções cristãs).

 

Enquanto o ser humano viver, deve obedecer à Torá, como afirmou o ETERNO:

“Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e juízos que mandou YHWH teu Elohim se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas a possuir; para que temas a YHWH teu Elohim, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados.”

(Devarim/Deuteronômio 6:1-2).

 

Da mesma maneira, escreveu o Salmista que a Palavra do ETERNO duraria para sempre (Sl 119: 160). Ora, quando foi escrito o referido Salmo, não havia “Novo Testamento”, então, deduz-se facilmente que a Palavra do ETERNO se refere às Escrituras do Tanach (“Antigo Testamento”). Eis o Salmo 119: 160:

“A principal coisa sobre tua palavra é que ela é a verdade; e todos os seus justos mandamentos duram para sempre”.

 

No mesmo Salmo, consta dos versos 97 e 98:

Como amo tua Torá! Medito nela todo o dia. Sou mais sábio que meus inimigos, Porque tuas mitsvot [mandamentos] são minhas para sempre”.

 

Ainda no Salmo 119, confira-se o verso 44:

Guardarei tua Torá para sempre, para todo o sempre”.

 

Além disso, o Tanach afirma que nada da Torá poderia ser mudado ou retirado:

“A fim de obedecer às mitsvot [mandamentos] de YHWH, o seu Elohim, que estou dando a vocês, não acrescentem nada ao que digo, e nada subtraiam delas.”

(Devarim/Deuteronômio: 4: 2).

 

“Cuidem de fazer tudo que ordeno a vocês. Não acrescentem nada nem retirem nada.”

(Devarim/Deuteronômio 13:1, sendo que nas traduções cristãs o capítulo é o 12:32). 

 

Existem muitas passagens em que o ETERNO estabelece estatutos para todas as gerações e para todo o sempre (Ex: 27:21; Ex: 28:43; Ex: 29:28; Ex: 30:21; Ex: 31:17; Lv: 6:18, 22; 7:34, 36; 10:9, 15; 17:7; 23:14, 21, 41; 24:3; Nm: 10:8; 15:15; 18:8, 11, 19, 23; 19:10 e Dt: 5:29)[4].

Se somos “nobres bereanos”, encontraremos passagens do Tanach afirmando que a Torá não seria abolida, mas duraria por todas as gerações e para sempre.

Este ensinamento foi repetido pelo Mashiach (Messias):

Não pensem que vim abolir a Torá ou os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir. Sim, é verdade! Digo a vocês: até que os céus e a terra passem, nem mesmo um yud ou um traço da Torá passará – não até que todas as coisas que precisam acontecer tenham ocorrido. Portanto, quem desobedecer à ‘menor’ dessas mitsvot [mandamentos] e ensinar outras pessoas a agirem da mesma forma será chamado menor no Reino dos Céus.”

(Mt 5:17-19, vide também Lc 16:17).

 

Esclareceu Sha’ul (Paulo):

Segue-se então que abolimos a Torá por meio dessa fé? De maneira nenhuma! Ao contrário, confirmamos a Torá

(Rm 3:31).

 

Apesar de David ter sido salvo pela fé (Rm 4:5-8), ele amou a Torá e tinha prazer em cumpri-la (Sl 119: 97, 113 e 163):

Oh! quanto amo a tua Torá! É a minha meditação em todo o dia”.

“Odeio os pensamentos vãos, mas amo a tua Torá”.

“Abomino e odeio a mentira; mas amo a tua Torá”.

 

Sha’ul (Paulo) também tinha prazer na Torá e a chama de “santa, justa e boa”:

“Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na Torá de Elohim.”

(Rm 7:22).

 

“E assim a Torá é santa, e o mandamento santo, justo e bom.”

(Rm 7:12).

 

Não existe nada de errado com a Torá que faça com que o ETERNO queira aboli-la ou destruí-la, pois tanto o Tanach (“AT”) quanto a B’rit Chadashá (“NT”) afirmam expressamente que a Torá é perfeita:

 “A Torá de YHWH é perfeita, e refrigera a alma...”

(Tehilim/Salmos 19:8; versões cristãs: Sl 19:7).

 

“Aquele, porém, que atenta bem para a Torá perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.”

(Ya’akov/Tiago 1:25).

 

Ora, algo que é perfeito nunca se tornará melhor do que já é. Logo, se a Torá é perfeita, conclui-se facilmente que seus mandamentos (mitsvot) são eternos e duram para sempre!

Yeshua HaMashiach não trouxe uma “Nova Torá” (Mt 5:17), mas ensinou como o homem realmente deveria interpretar e guardar a Torá dada pelo ETERNO, excluindo todos os mandamentos criados por homens legalistas e não por ELOHIM. Por tal razão, a B’rit Chadashá (“NT”) chama a Torá de “Torá do Messias” (Gl 6:2), ou seja, a Torá verdadeira, que nada tem a ver com a Torá ensinada por falsos mestres -estes existem até hoje, e são especialistas em distorcer a Palavra do ETERNO, apesar de nunca admitirem que isto fazem.

Outro ensinamento popular na igreja cristã afirma que o ETERNO só deu a Torá a Israel para provar que eles não conseguiriam cumpri-la. Por exemplo, um livro cristão leciona:

“... Israel, na cegueira, orgulho e autojustiça, pediu a lei. E Deus lhe concedeu o seu pedido, para mostrar-lhes que eles não podiam guardar a sua lei ...”

(God’s Plan of the Ages; Louis T. Tallbot; 1970; página 66).

 

Agora, vamos pensar no texto acima por um momento. Elohim deu a Torá para Yisra’el (Israel). O ETERNO disse que colocaria maldições sobre Yisra’el caso o povo falhasse em cumprir a Torá (Lv 26 e Dt 28 e 29). Elohim mandou profetas para advertir Yisra’el da destruição pendente em razão da contínua incapacidade de guardar a Torá. Finalmente, permite o ETERNO que os babilônios invadam Jerusalém e os judeus sejam levados ao cativeiro, porque eles falharam no cumprimento da Torá. Então, Ele diz: “Ah, eu estava brincando. Eu dei a Torá e mandei que vocês a cumprissem para provar que vocês não iriam conseguir. Agora estou castigando vocês”. Que tipo de ELOHIM faria isso? É óbvio que o ETERNO não daria mandamentos com o intuito de castigar o homem pela desobediência. Não! O ETERNO é bom e estabeleceu mandamentos com o desiderato de que o homem os obedecesse. Como nobres bereanos, nós podemos simplesmente olhar para o Tanach para verificar se o popular ensino cristão é verdadeiro.

Vejamos o que o Tanach diz sobre este assunto:

“Pois esta mitsvá [mandamento] que hoje entrego a vocês não é muito difícil, não está fora do seu alcance. Ela não está no céu, para que vocês precisem perguntar: ‘Quem subirá ao céu por nós, a trará até nós e nos fará ouvi-la, para que lhe possamos obedecer?’. Da mesma forma, ela não está no além-mar, para que vocês precisem perguntar: ‘Quem atravessará o mar por nós, a trará até nós e nos fará ouvi-la, para que lhe possamos obedecer? ’. Ao contrário, a palavra está bem perto de vocês – em sua boca e em seu coração; portanto, vocês podem praticá-la!’”

(Devarim/Deuteronômio 30:11-14).

 

Como se observa facilmente no texto acima, o próprio ETERNO afirma que a Torá pode e deve ser cumprida, o que não é considerado muito difícil e nem está fora do alcance do ser humano.

O fato de que a Torá possa ser cumprida e praticada está confirmado também na B’rit Chadashá (“Novo Testamento”), pois esta afiança que Yeshua “foi tentado em todas as áreas, como nós, com a diferença de que nunca pecou” (Hb 4:15), ou seja, Yeshua conseguiu observar a Torá, mesmo sendo tentado. Apesar de sermos imperfeitos, nós devemos nos esforçar para guardar o máximo possível da Torá, lembrando-se que podemos derrotar a tentação, pois “Elohim não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar” (1 Co 10:13). Em outras palavras, ainda que pequemos, já que somos falíveis, isto não nos impede de tentar viver em obediência aos mandamentos do ETERNO.

Destarte, conclui-se que a Torá de YHWH permanece válida, e seus mandamentos devem ser obedecidos. Aliás, ensinou Yeshua que aqueles que o amam iriam guardar os mandamentos (Yochanan/João 14:15).

 

 

 


[1] Na tradução para o português feita pelo Padre João Ferreira de Almeida, este omitiu a palavra “sinagoga” em Tg 2:2. Creio que o objetivo desta omissão se deve ao fato de que a Igreja Cristã deseja ocultar a verdade: os primeiros discípulos de Yeshua se reuniam em sinagogas e não em Igrejas.

[2] Alguns estudiosos perceberam que existem mais do que 613 mandamentos na Torá. Logo, pode-se dizer que os 613 mandamentos reconhecidos pelo Judaísmo consistem em um rol exemplificativo, e não taxativo.

[3] Viveu aproximadamente entre os anos 1135 a 1204 d.C. 

[4] O que muitas pessoas confundem é que existem certas regras na Torá que são verdadeiras “leis temporárias e circunstanciais”, ou seja, foram estabelecidas para vigorarem durante certo período de tempo e em determinadas circunstâncias. Exemplos de regras temporárias: 1) Quando a mulher estava em período menstrual, ninguém poderia tocar nela ou em sua cama (Lv 15:23). Esta norma foi estabelecida para fins higiênicos, evitando-se a contaminação por doenças transmissíveis pelo sangue, já que não havia absorvente íntimo e água em abundância.  2) As regras sobre compra de escravos não se aplicam mais (Lv 25:44), uma vez que hoje  não existe escravidão, fruto da maldade humana. Esta nunca foi a vontade do ETERNO, que chegou a criar normas para benefício dos escravos estrangeiros, dizendo que os senhores deveriam amá-los como a si próprios (Lv 19:34). Não obstante a existência de algumas leis temporárias, os mandamentos éticos e morais da Torá são eternos. 

 

 

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