A lição censurada de Rashbam e a crença original dos judeus nazarenos sobre Tefilin

29/11/2015 12:58

A lição censurada de Rashbam e a crença original dos judeus nazarenos sobre Tefilin

 

Por Tsadok Ben Derech

 

 

“De acordo com o p’shat[1], a mitsvá[2] de tefilin em Shemot 13:9[3] não deve ser entendida literalmente”.

Rabino Samuel Ben Meir (França, 1085 a 1158), conhecido como Rashbam, importante tosafista francês, neto de Rashi.

 

O pensamento de Rashbam contraria o entendimento vigente do Judaísmo rabínico, e esta é a razão pela qual, ao publicar a obra “Mikraot Gedolot”, a editora ArtScroll excluiu a passagem acima citada, censurando-a. Ou seja, existia até mesmo dentro do Judaísmo rabínico corrente doutrinária no sentido de que o ETERNO não determinou o uso de tefilin. 

Segundo o Talmud (m. Menachot 42b), um Sefer Torá (Livro da Torá) escrito por um “mumar” (apóstata/convertido, "min") seria inválido, já que este não usava tefilin, e é líquido e certo que o  nome “min” (herege) era usado pelos rabinos para designar o judeu que cria em Yeshua[4]

Conclusão: os judeus que seguiam Yeshua não usavam tefilin, e tal como Rashbam interpretavam metaforicamente a cláusula “também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos” (Devarim/Deuteronômio 6:8; vide ainda Shemot/Êxodo 13:9).



[1] Interpretação literal das Escrituras.

[2] Mandamento.

[3] Êxodo 13:9.

[4] Neste sentido, confira: Dictionary of Targumim, Talmud and Midrashic Literature, Marcus Jastrow, 2006, páginas 744 (מומר) e 776 (מיו); Glossary of the 1952-1961 printing of the Soncino Talmud.

 

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